Capa do livro 101 perguntas e respostas para investidores iniciantes

101 perguntas e respostas para investidores iniciantes – Suno Research: resumo do livro

 

Um dos livros da casa de análise Suno Research voltado para o público iniciante é o 101 perguntas e respostas. Os autores Tiago Reis e Felipe Tadewald usaram as perguntas mandadas pelos seguidores de Tiago Reis no instagram e responderam de forma mais completa no livro.

No artigo de hoje, vamos fazer um resumo completo do livro falando sobre os principais conteúdos, e sumarizando de forma crítica algumas das informações da obra.

101 perguntas e respostas para investidores iniciante

101 perguntas e respostas para investidores iniciantes - Suno Research: resumo do livro

O livro tem o formato bem claro, como as perguntas do instagram. Os autores dispõem as dúvidas dos seguidores por assunto e logo abaixo elaboram uma resposta de dois a dez parágrafos. A linguagem é simples e direta, sempre tentando responder ao questionamento de forma breve.

Vamos separar o assunto pelos tópicos da obra para melhor entendimento.

Primeiros Passos

O começo do livro trata de assuntos para quem ainda não começou a investir. Dentre eles estão: pague suas dívidas primeiro, poupe todo mês e abra um conta em uma corretora.

Também é abordada a filosofia de investimentos que a Suno apoia: o investimento de longo prazo ou Buy and Hold (comprar e segurar). Os autores explicam que se você precisar do dinheiro dentro dos próximos 3 anos, o melhor seria não colocá-lo no mercado acionário. O dinheiro das ações  deve permanecer investido durante muito tempo para que o(a) investidor(a) possa tirar o máximo proveito dos dividendos.

Para investir em ações, eles indicam separar no mínimo R$ 1 mil, por causa das taxas de corretagem que giram em torno dos R$ 20, e pelo fato das ações serem negociadas em blocos de 100 no mercado comum.

Com relação à qual ativo investir, o livro apoia que os investidores iniciantes comecem com Fundos Imobiliários (FIIs), pois o preço deste tendem a variar menos do que os das ações e por eles gerarem renda todo o mês. O mesmo conselho é dado para investidores de renda fixa que querem iniciar gradualmente na renda variável.

O Mercado de capitais

O mercado de capitais é tratado como uma ferramenta para multiplicar os recursos investidos. Logo, o livro deixa bem claro que não existe riqueza fácil e rápida. Tanto que as grande fortunas do mercado acionário pertencem a pessoas mais velhas que passaram muito tempo acumulando recursos e estudando boas ações.

O grande problemas é que menos de 10% da população economiza para o futuro, fato que acontece devido a falta de educação financeira e o consumismo exacerbado dos brasileiros. Além disso, existe a falácia da mídia que só quem investe são pessoas ricas e que a bolsa de valores é muito arriscada.

No livro, os autores tratam também de algumas ações de boa rentabilidade, por apresentarem um ROE elevando, como a Ambev, M Dias Branco, Taesa e outras.

Formação e acompanhamento da carteira

O mercado fracionado é mencionado como uma boa alternativa para quem tem poucos recursos para aplicar. Entretanto, se o(a) investidor(a) decidir investir no mercado comum, poderá se concentrar em um, dois ou, no máximo, três ações por mês.

Para uma carteira de longo prazo, o livro indica que não importa se uma ação é preferencial (PN) ou ordinária (ON). O mais importante é escolher empresas economicamente saudáveis e com boa governança.

Para quem está começando, não é necessário ter uma diversificação de ativos ampla. Como esses investidores podem não ter uma grande quantidade de dinheiro disponível, suas carteiras podem ser concentrada, ou seja, sem muita diversificação. Porém, conforme a carteira cresce é normal ter mais ações e FIIs de setores e tipos diferentes. A diversificação é a melhor forma de proteger uma carteira de investimento. Mas a diversificação excessiva pode virar uma pulverização e tornar inviável o acompanhamento dos investimentos. 

Dessa forma, não é aconselhável ter mais de três ativos do mesmo setor (energia, educação, saúde etc) no portfólio. Além disso, é interessante investir em pelo menos em quatro setores distintos.

Acompanhar regularmente a carteira de ações, assim como a de FIIs, é necessário para notar se esses ativos estão se deteriorando. Entretanto, esse acompanhamento não deve ser feito em demasia pois pode nos incentivar a especular, vendendo e comprando ativos a curto prazo (day trade) e podendo acarretar perdas. Dessa forma, um acompanhamento de uma vez ao ano pode ser suficiente. 

Embora um ano ruim não signifique que a empresa esteja se corroendo, outros fatores podem indicar que a instituição não está mais trazendo os melhores retornos e por isso deva ser trocada. Esses fatores são decisões erradas de investimento, desproporcional alavancagem (dívidas), perda de mercado, ciclicidade, troca de gestão etc. 

Fundos Imobiliários

Fundos Imobiliários (FIIs) são fundos fechados que podem ter vários imóveis ou investimentos com lastro imobiliários (CRIs e LCIs). Pela grande diversificação interna, investidores podem ter uma boa carteira previdenciária apenas com esse ativo. Porém, os autores chamam a atenção para o fato que o mercado acionário tende a se valorizar mais no decorrer dos anos e, consequentemente, entregar mais proventos. Logo, uma carteira bem diversificada tem espaço tanto para FIIs quanto para ações.

Fundos de papel, embora invistam em renda fixa, tem rendimento bem acima do CDI, se configurando como um bom ativo para se ter na certeira para o longo prazo. Mais ainda, em momentos de crise esse FIIs continuam entregando bons resultados por estarem atrelados a inflação, que costuma aumentar em momentos de economia enfraquecida. 

Para analisar fundos de papel é preciso avaliar o lastro dos CRIs, que é a relação do valor das garantias e o valor da dívida (LTV), além da solidez dos devedores.

Na análise dos outros FIIs, como de tijolo e de desenvolvimento, podem ser observados indicadores como qualidade do empreendimento, desempenho na operação, e vacância. 

Todas essas informações sobre FIIs podem ser acessadas no site da B3.

Quer saber mais sobre Fundos Imobiliários? Temos um e-book completo sobre o assunto.

Ações 

Investir em ações não é tão arriscado quando se prega nos meios de comunicação. Mas é preciso saber escolher boas empresas. Para reduzir o risco no mercado acionário é preciso escolher empresas sólidas e saudáveis, que apresentem um bom histórico de rentabilidade e baixo endividamento, e que estejam em setores anticíclicos e perenes. Outro ponto a se observar é se elas são boas pagadoras de dividendos. Por essas características, esses negócios maduros e sólidos apresentam menos riscos aos investidores.

A diversificação é também uma ótima proteção contra a volatilidade da carteira de ações.

Outro ponto a se considerar é que ações podem proteger da inflação por crescerem junto com a própria economia, expandido suas operações e aumentando sua escala. Mas é preciso escolher as melhores empresas para conseguir esse retorno e consequente crescimento. 

A  venda de ações não deve ser vista como a principal forma de lucro, investidores de longo prazo devem se focar no recebimento de dividendos e Juros sobre o Capital Próprio (JCP). Com esses proventos sendo reinvestidos no mercado, mais e mais proventos são gerados até que eles ultrapassem o valor inicialmente investido. Nesse meio período, os investidores podem colocar suas ações para alugar e ganhar uma taxa anual paga pelos especuladores. 

Embora a equipe da Suno não incentive a venda de ações no curto prazo, eles apontam alguns “sinais” de que está na hora de vender um certo ativo. Eles são: 

  • Deterioramento dos números e perda de fundamentos
  • Valuation caro
  • Surgimento de outra grande oportunidade

 

Apesar de os autores reforçarem sua tese de que empresas maduras são menos voláteis e possuem menos risco, eles não descartam o investimento em empresas de crescimento.

Essa empresas jovens estão constantemente investindo nelas mesmas e, por consequência, tendo um crescimento acelerado. Mais ainda, depois dessa fase de investimento interno, esses negócios costumam pagar grandes dividendos. Evidentemente, a fase inicial possui maior risco, pela alavancagem e a concorrência no setor.

O mercado fracionário pode e deve ser utilizado pelos investidores que tem pouco dinheiro para aplicar, mas é preciso se atentar as taxas de corretagem e sempre procurar corretoras que tenham taxas menores ou zeradas. 

Small caps

Small caps (empresas de baixa capitalização) são normalmente empresas de baixo valor de mercado e com baixa liquidez na bolsa. Por essas características, elas devem ocupar um espaço pequeno na carteira (20%), diferentemente das ações blue chips. Além disso, a maioria das small caps não costumam pagar dividendos, pois estão direcionando todo o capital para crescimento próprio, embora existam exceções a regra. 

Ativos internacionais 

A Suno apoia investimentos no exterior, tanto como uma forma de diversificação como uma maneira de fugir do risco Brasil. Pois, em crises internas, a bolsa de valores cai e o dólar sobe. Os especialistas também indicam 10% do patrimônio total em ações estrangeiras. 

Existem algumas formas que podemos investir em ações estrangeiras, como: BDRs no bolsa  brasileira, abrir uma conta em uma corretora nos Estados Unidos, ETFs ou cotas de fundos que aplicam no exterior. Porém, os autores indicam que a melhor forma são BDRs e abrir conta no exterior.

Algumas empresas estrangeiras não pagam dividendos, como Facebook, Google e Berkshire Hathaway, mas têm um potencial de valorização muito grande que acaba compensando a falta de distribuição de proventos. Mais ainda, essas empresas têm grande probabilidade de distribuírem altos dividendos no futuro, como aconteceu com a Apple.

BDRs distribuem dividendos, mas as entidades organizadoras desses recebíveis ficam com 5% dos dividendos pagos. Além disso, o governo americano taxa os dividendos, descontado mais um pouco desses lucros. Podemos também encontrar BDRs de alguns REITs, como o Boston Properties INC.

Outras modalidades de investimentos

Debêntures incentivadas podem ser bons investimentos, se a empresa atrelada a esse investimento seja sólida e não esteja muito alavancada.

Os ETFs, por sua vez, se configuram como uma forma de investimento passivo, que pode ser ideal para aquelas pessoas que querem começar na bolsa, mas possuem pouco conhecimento. Esse investimento é bem popular em países desenvolvidos e é defendido até por Warren Buffett. Porém, devido o grande número de empresas cíclicas no Brasil, vale mais a pena investir em um ETF que siga indexes americanos, como o S&P 500.

A Suno coloca de forma clara sua opinião contra os COEs que são usados por algumas instituições financeira para tirar dinheiro de investidores desavisados.

Outros investimentos que os autores não gostam muito são fundos multimercado, fundos de private equity, previdências privadas, ouro, criptomoedas e obras de arte.

Análise de empresas

A análise de empresas envolve vários fatores tanto contábeis quanto relacionados à gestão, e setor de atuação do negócio. Entretanto os autores destacam alguns pontos primordiais que precisam ser vistos antes de se investir em ações, tais como:

  • Histórico de resultados
  • Métricas de rentabilidade (ROE e ROIC)
  • Avaliar a saúde financeira da empresa
  • Valuation
  • Gestão (A análise da gestão pode ser feita observando a operação – rentabilidade superior às concorrentes – e histórico de alocação de capital).
  • Governança 
  • Vantagens competitivas
  • Perenidade do segmento 
  • Ciclicidade do setor

 

Além disso, os autores destacam alguns sites para se informar sobre investimentos de renda variável, como o site de relações com o investidor da própria empresa, e sites de análise fundamentalista.

De modo geral, o livro mostra que empresas que geram muito caixa, ou seja, que são rentáveis, são aqueles que têm mais probabilidade de continuar tendo esses resultados no longo prazo. Logo, elas são boas opções de investimento.

Estratégias

O 101 perguntas e respostas para investidores iniciantes discute também as estratégias mais famosas de investidores da bolsa.

A primeira delas é o método Bazin, no qual é indicado aos investidores escolherem empresas com Dividend Yield maior ou igual a 6%, além de um endividamento (alavancagem) pequeno. Apesar desse método ser recomendado, baseado em estudos feitos pela própria Suno, eles não aconselham seguir apenas ele, pois isso deixaria de lado empresas de crescimento com grande potencial.

Outra estratégia também citada é a de Joel Greenblatt, que também passou pelo backtest da Suno e se mostrou rentável. Basicamente essa estratégia trata de comprar bons ativos a bons preços.

A análise técnica, por outro lado, não é aconselhada para uma abordagem de longo prazo. Um dos motivos é que esse método é utilizado por especuladores e se concentra em ganhos de curto prazo (por meio de day trade). Desse modo, os autores defendem a abordagem fundamentalista.

Ferramentas como o Stop Loss e o Stop Gain também são descartadas pelos autores, pois impedem o investidor de comprar na baixa. Outra ferramenta para se ficar longe são as opções, que adicionam maior risco para o portfólio.

Instrução formal e informal

Nesta seção, os autores também recomendam alguns filmes para o entendimento do mundo dos investimentos, como:

  • Betting on zero
  • Becoming Warren Buffett
  • A Grande Aposta
  • Moneyball: o Homem que mudou o Jogo
  • Fome de Poder
  • The Lost Interview: Steve Jobs

 

Outra lista feita pela obra são de livros importantes para os investidores, como:

Conclusão 

101 perguntas e respostas para investidores iniciantes é um dos livros mais básicos da Suno. Sua leitura é fácil de acompanhar e traz muito valor para os investidores iniciantes e até aqueles que já estão negociando a algum tempo, mas têm dúvidas sobre o mercado. O livro é uma leitura recomendada para quem quer aprender mais sobre o mercado de capitais brasileiro.

Neste artigo trouxemos apenas um apanhado geral sobre o conteúdo do livro, mas a obra aprofunda mais esses pontos.

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Obrigada. 

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